Comentador de Facebook e outras aberrações

Diversos motivos me trouxeram à blogosfera. Um deles é virar protagonista do mundo das letras. Isso mesmo que eu acabei de escrever. Quem lê sabe muito bem do que direi a seguir. Quem vive imerso no mundo da literatura, adora dizer que leu ou está lendo os ditos grandes autores.

O que há de errado em ler os grandes autores? Nada. Pelo contrário, é algo enriquecedor e que, no mínimo, ajuda a escrever melhor. Tateando o outro lado da moeda, percebi que depois de muito ler, esta atividade torna-se uma atividade estéril. Todo admirador do mundo das letras vive em permanente conflito: nunca conseguirei ler todos os livros que eu desejo. É um desgaste tolo, quando confrontado aos demais conflitos da existência.

Por que me refiro ao ato de ler em demasia como atividade estéril? Simples. Se continuarmos nessa voracidade “leiturística”, sempre continuaremos na posição de meros espectadores, nunca de protagonistas. Antes que iniciem o ritual de linchamento, peço mais duas palavras. A última coisa que eu pretendo é fazer apologia ao abandono da leitura, principalmente na terra de Cabral. Devemos seguir adiante na deliciosa conversa que é a leitura – ler é um diálogo com as grandes mentes do passado, segundo Descartes.

A leitura deve nos conduzir a posição de protagonistas. Somente as cabeças iluminadas tem algo a dizer? De jeito nenhum. Podemos ser autores no espetáculo da vida. Temos algo importante a dizer. É nesse ponto da história que emerge a relevância da blogosfera. Se a forma de publicar material escrito continuasse da mesma maneira que trinta anos atrás. Nos restaria duas opções: leitor ou escritor. Como a realidade é mutável, para nossa alegria e desespero dos conservadores, podemos escolher a posição de leitor e se nos cansarmos desta, escrever e publicar.

A blogosfera possibilita ao cidadão comum o ato de escrever e publicar seus escritos. Fazendo com que possamos abolir as gavetas e assumir a posição de a(u)tores da escrita. E quanto a ganhar dinheiro com a nossa produção escrita? Se eu soubesse a receita, estaria ganhando dinheiro com palestras e publicando o meu primeiro livro “Coma macarrão instantâneo e fique rico”. Mas não sei receita de nada.

Muito cuidado com o protagonismo adotado por você. Enquanto escrevo esse texto, há uma avalanche de escritos divulgados em redes sociais. A cautela é fugir desse tipo de atitude e assumir as rédeas da folha em branco. Tinha me transformado em um mero comentador dos escritos divulgados no Facebook, pobre engrenagem de rede social. Há algo de errado com isso? Claro! E minha posição de produtor de informação, onde fica? No limbo, basta o Facebook se tornar obsoleto e meus escritos serão sepultados na mesma cova do Orkut. Se somos capazes de discorrer longamente, no Facebook ou qualquer outra rede, sobre qualquer tipo de bobagem, também estamos aptos a produzir nossas histórias e divulga-las. Devemos abandonar o medo de parecer ridículo e reconhecer a importância de produzir nossa(s) história(s). Mão ao teclado!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s