Bossa-noia

Lá vem o pato

Lá vem o pato

Chega de Saudade. Ela é carioca. Samba de uma nota só. Desafinado. Você já ouviu falar de alguém capaz de trepar ouvindo algumas dessas músicas ou qualquer outra da bossa nova? Não! Ninguém em estado de sã consciência é capaz de tamanha perversão. Na contramão disso, qualquer riff de qualquer música do Chuck Berry, nos provoca um entusiasmo súbito. Qual o motivo desta acareação entre a bossa nova e o Rock? Cansei de dizer, pela enésima vez, que não gosto de bossa nova e sempre me aparece algum tolo entusiasmado – esses são os piores – para me dizer “mas tem que gostar. É uma música inovadora.” e coisas parecidas. Aí eu pergunto: para quem é inovadora? Não é, foi revolucionária. Há um imenso abismo entre “ter sido”, permanecer e “continuar” revolucionária.

Essa história da permanência é bem típica da bossa nova. Esse é um dos motivos dessa “acareação estética”. Os adeptos dizem que o gênero criado por João Gilberto inovou. Realmente, inovou e não inova mais. Enquanto o Rock, por mais que digam que “morreu” e “errou”, continua com o mesmo fôlego do surgimento. Só mais uma pergunta: me diga quantas ramificações a bossa nova deixou? Nenhuma. Já o Rock tem se mostrado bem prolífico desde o surgimento na longínqua década de 1950 e vive a contrariar profecias pessimistas.

Entre as décadas de 1950 e 1960, garotinhos de classe média, saturados de ouvir jazz – ou cansados de viver uma vidinha tola – e sentindo uma certa dívida para com os marginalizados, sobem o morro e constatam uma verdade óbvia: Puxa! Os nossos negros possuem o samba e é tão sofisticado e efusivo quanto o Jazz. Vamos fundir os dois gêneros e criar algo novo!? O resto da história é de domínio público: violão, banquinho, barquinho, João Gilberto, mar… De água e monotonia.

No meu singelo entendimento, a grande inovação da bossa nova é ter desvirtuado dois ritmos – Samba e o Jazz – conhecidos pelo vigor, efusão, capacidade de ressignificação, linguagem acessível e criado uma seita hermética – não alquimia –  composta de monotonia e dismorfia. Ao afirmar que a bossa nova é uma seita hermética, afirmo isso por que a bossa nova é um clubinho estético composto de acordes incompreensíveis ao cidadão comum. Quem sabe discernir se a bossa nova é Jazz ou Samba? Simples de responder, ninguém a não ser os criadores. O gênero do João Gilberto e companhia, padece de dismorfia congênita.

Em que contexto nasce a bossa nova e por que muitos se orgulham deste gênero musical? A bossa nova aparece em nosso país num clima de nacionalismo e entusiasmo com o Brasil. É de se esperar que qualquer coisa, qualquer coisa mesmo fizesse sucesso e fosse levado adiante. Basta lembrar que até hoje o presidente bossa-nova (Juscelino Kubitschek) é lembrado com nostalgia por ter construído Brasília e inúmeras rodovias em solo brasileiro.

A herança do Kubitschek é do conhecimento de todos: dívida externa, um exacerbado culto ao automóvel, pranto e ranger de dentes e… Bossa nova. A herança da bossa nova está dentro da esfera do nacionalismo, muita gente gosta do bossa-novismo por que é um ritmo brasileiro e temos de nos orgulhar de tal coisa. Por quê mesmo? É música do nosso país, feita por brasileiros e uma penca de argumentos, com muito sentido na época dos militares e nenhum nos dias atuais.

Tenho certeza de uma coisa: ao terminar o presente texto, vão me acusar de muitas coisas. A menos agressiva é dizer que eu “mordi a mãe na passagem”. O que é perfeitamente compreensível, afinal a bossa nova é uma instituição e contrariá-la causa problemas. A quem ouve bossa nova por que é um ritmo autenticamente brasileiro, sugiro que ouça a aquela bonita parceria entre Joaquim Osório Duque Estrada e Francisco Manuel da Silva, popularmente conhecida como hino nacional brasileiro. É da nossa lavra e também é música brasileira por excelência. Pode fechar o caixão.

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