A Filosofia perene de Descartes e a lavagem de pratos

Descartes não gostava deles

Descartes não gostava deles

De início, quero avisar que esta dissertação é de grande valia para as pessoas que migram para os “states”. Cujo objetivo é lavar pratos, “fazer a vida nos EUA e tirar uma de descolado com os patrícios. Sigam as orientações do presente texto e ganharão conhecimentos úteis à limpeza de pratos e de quebra conseguirão lavar mais e, consequentemente, ganhar mais dinheiro.

René Descartes (1596-1650). Também conhecido como Renatus Cartesius. Um dos grandes filósofos franceses. Ofereceu contribuições substanciais à Física e a matemática. É o iniciador do racionalismo. E influenciou o modo de agir e pensar ocidental – é bom frisar que usamos calça jeans por outros motivos. Se hoje vemos a realidade de maneira fragmentada, devemos ao sr. Descartes e sua obsessão com a análise. Temos enfermeira trucidando indefesos yorkshires. Nossa dívida é com Descartes. O filósofo percebia os animais, não como seres sencientes, e sim um aglomerado de matéria em movimento. Hoje é sexta-feira e dia de queimar alguém. Cartesianos fiquem tranquilos (há algum aí? Manifeste-se), procuro reabilitar o pensador.

Lavagem de pratos ou lavar pratos. Tarefa prosaica realizada após o processo de alimentação do homo sapiens. É realizada por uma pessoa, por um serviçal ou seja lá quem for. Independente da execução é dispensável justificação filósofica para entender o quanto é maçante fazer isso. Tanto o oriente quanto o ocidente, lavam pratos. Na civilização ocidental, enfrentar uma pi(lh)a de pratos provoca desesperança em qualquer ser vivente. Em resumo, na época presente, a qual o vocábulo pós está na moda. Homem pós-moderno; pós-modernidade; pós-punk (sim existe); pós-modernismo. Digo que lavar pratos é pós-alimentação. Lavar pratos é a primeira ferida narcísica. A vaidade humana ficou abalada desde o momento em que descobriu a falta de sentido da vida perante os pratos do jantar.

A França, além da culinária e do Descartes, nos trouxe o pensador Luc Ferry (1951-?). Considero tão revolucionário quanto qualquer outro de épocas passadas. Ferry é conhecido pelos posicionamentos discutíveis. Entre 2002 e 2004 é escolhido ministro da educação em seu país natal. Criou uma lei que proibia o uso de símbolos religiosos, por parte dos alunos, em instituições públicas de ensino. Incluía crucifixos, quipás (cobertura usada pelos judeus) e o véu das mulheres islâmicas.

Em 2006 lança a obra Aprender a viver, a princípio parece um livro de autoajuda. Não se engane, é. O mais útil de todos os tempos. Auxilia-nos a abandonar a visão petrificada que nós temos da filosofia. Nem pense que irá encontrar ensinamentos do tipo arranje a pessoa certa; ganhe dinheiro sem trabalhar; seja feliz na adversidade ou potocas relacionadas. Ferry, na obra, propõe que a filosofia seja um conhecimento prático e de uso cotidiano. O livro desmonta a noção da filosofia como conhecimento distante de tudo e todos. O intelectual como ser iluminado e afastado – ecoou – da realidade. O conhecimento filosófico está presente no cotidiano, basta utilizar a reflexão crítica. Uma das finalidades da reflexão filosófica é messiânica, através dela alcançamos a salvação mediante o saber. Ao contrário da religião ou deus, segundo Ferry, a filosofia é o conhecimento adequado ao ser humano frente ao absurdo da existência. Não promete, cumpre.

Depois de explanar sobre Descartes, lavagem de pratos e Ferry. Retornamos ao primeiro filósofo. Descartes segue a nos atormentar. Cartesius, publicou a obra Discurso do método. Escrito fundamental para entender o raciocínio cartesiano. Não posso, não quero e nem possuo bagagem suficiente para me aprofundar em Descartes. Mesmo assim, procuro resgatar o sofrido cartesianismo da suposta irracionalidade contemporânea.

Uma das propostas da obra magna de Descartes (conforme o título) é o método empregado para alcançar o conhecimento. Na metodologia cartesiana há quatro verbos essenciais para entender o pensamento do filósofo (e o presente texto): Verificar, analisar, sintetizar e enumerar. A partir dos pressupostos cartesianos, executamos duas tarefas: lavamos a louça pós-refeição e ressuscitamos o ilustre francês. De maneira contextualizada e simplificadíssima, estamos na era Google a complexidade está morta, a coisa ficará assim:

• Verificar a existência real do fenômeno a estudar. No caso de uma pilha de pratos é algo absolutamente que entra por todos os sentidos, dependendo do período de tempo na pia.

• Analisar o problema e separar em diversas partes para facilitar o estudo. Estágio essencial da lavagem de louça – e do cartesianismo. Executamos a seleção de cada categoria presente durante o ato de assepsia “pratística”. Talher para um canto, panela para outro, prato em seu lugar e segue adiante.

• Enumerar o processo utilizado com o objetivo de manter o padrão durante o exercício intelectual. Consiste em tornar sólido o conhecimento adquirido ao longo do estudo e sistematizar para uso posterior.

Após essa longa explanação acerca da filosofia presente no cotidiano. Agradeço por existir Descartes e sua filosofia. Mais do que influenciar o conhecimento ocidental, foi responsável por concretizar o texto dessa semana. A angústia da folha em branco se apoderou de mim e ameaçou minha criatividade. Obrigado Descartes. Quanto à lavagem de louças, pratos e afilhados, vade retro satana.

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