E a semana passada?

Encontro de almofadinhas ou de artistas?Chegou fevereiro e as demais consequências: carnaval, samba, suor e cerveja. Esqueçam o samba (já era) resta o suor, a cerveja e música de qualidade duvidosa. Estamos em 2012, efeméride – sempre quis usar essa palavra – importante para a vida artística nacional, a Semana de Arte Moderna, completará 90 anos. O evento aconteceu entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922, organizado pela vanguarda artística da época. Villa-Lobos, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade e outros, apresentaram novas propostas para arte brasileira. Música, Pintura, Escultura e Literatura (prosa e poesia). Expostas usando roupas limpas, livres do academicismo e ranço europeu – cabe ressalva aqui.

A celebração recebeu financiamento da elite paulistana e provou, mais uma vez, a proximidade entre o capital e a arte. Claro que isso não é regra, e sim algo que pode ser observado ao longo da história. A Capela Sistina foi possível graças, também, ao dinheiro. Embora o trabalho de Michelangelo seja divino, o pintor tinha necessidades terrenas. Recapitulando, a Capela é o encontro das habilidades do pintor e da grana das organizações Vaticano.

O barulho de 1922 continua ecoando nos ouvidos da arte brasileira. Abordar este tema banal parece coisa de tolo ou impressionado, tem fundamento essa afirmação. A arte moderna é parte do nosso cotidiano, há quem fale em arte pós-moderna, mesmo que inexista uma vanguarda a carregar esta bandeira. Sempre que ouvimos falar n’A Semana, são sempre aqueles chavões repetidos acima. E esquecemos de perguntar quem consumia arte no Patropi daquele tempo.

O Brasil de 1922 é diferente daquele cenário mostrado n’A Semana. Vemos os artistas e intelectuais posando para foto do evento, vestidos de maneira impecável, banho tomado e demais apetrechos. A realidade da maioria dos brasileiros era outra, rico de privações. O contexto era bem cruel, existia um batalhão de analfabetos, impossibilitados de consumir a arte dos transgressores d’A Semana. As estimativas falam em 75% da sociedade na condição de analfabetos. A estética da vida real não era das mais bonitas

Se nos prendermos a forma mais acessível de arte, a Literatura. Acredito e tenho uma certeza, os escritores – involuntariamente ou sei lá – d’A Semana publicavam livros para ler em saraus organizados por e para eles. Leitura, na década de 1920, tratava-se de um prazer inacessível a maior parte da população. A “simplicidade” da arte escrita esbarrou no fantasma do analfabetismo. O que dizer das outras manifestações artísticas presentes na semana? A maior parte da sociedade brasileira ficou fora da festa, ainda hoje é assim. Arte ou feijão com arroz continuam artigos de luxo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s