Notas frouxas sobre educação

A máquina de encaixotar gente

Se me perguntarem: qual o legado da escola para você? Os amigos (poucos) e monotonia (muita). Atravessei minha vida escolar e construí, orgulhosamente, meu conhecimento sem o apoio real da escola. Assistia às aulas, respondia provas e passava de ano. O professor estava lá, era o figurante que almejava o papel principal, mas carecia de competência suficiente para encenar o drama. Minha educação eu devo aos livros debulhados em casa. O pouco que eu sei da língua portuguesa, agradeço as obras literárias apreciadas longe das muralhas escolares.

Estudei em escola pública e o quadro era basicamente professores despreparados, mas investidos do poder de avaliar alunos em formação. A idade avançou e o Brasil também. A escola melhorou, pelo menos na aparência. Os problemas continuam. Educadores a buscar melhores salários e o pior, o uso de chavões do naipe “todo profissional precisou de um professor”. Uma categoria capaz de usar um argumento desse nível é carente de noções básicas de lógica formal. Todo e qualquer segmento profissional é relevante dentro da estrutura social e merece salário digno. Usar retórica de Facebook é duvidar da minha inteligência

Deixo de lado os sofridos professores e retorno ao tema inicial. Qual a importância da escola na atualidade? O Brasil precisa de mais escolas ou universidades? Diante dos diversos avanços na tecnologia, o conhecimento está mais acessível a todos e mesmo assim a escola insiste em respirar. A educação tradicional e a escola fruto dessa maneira de educar, podem ser comparadas – sem nenhum medo de errar – a um “cartório do conhecimento”. O aluno vai ao cartório, conversa com o tabelião e o estabelecimento emite uma certidão de posse do conhecimento. Tudo muito simples e indolor, não fosse o fato da escola destroçar toda e qualquer criatividade.

Antes de me acusarem de pregar a abolição da escola, estão certos. Embora se trate de um projeto irrealizável e a lógica é bem simples: a escola é instrumento útil na perpetuação do poder. A educação – tradicional – que liberta é falaciosa. Entre em qualquer escola e observe o cenário: crianças enfileiradas, vestindo as mesmas roupas e o “sacerdote” a ministrar as instruções. Ao observar atentamente esse quadro e refletir mais um pouco, é possível perceber que o chão de fábrica é a extensão da escola. Esqueça a educação que prega cidadania, criatividade ou balelas congêneres. (Continua na próxima semana).

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