Notas frouxas sobre educação – o retorno

O prolongamento da sala de aula

O prolongamento da sala de aula

A finalidade da escola é enquadrar o sujeito e assim adestra-lo, com o intuito de produzir coisas baratas para pessoas vazias. E assim colocar em movimento a samsara do capitalismo, onde todos acreditam alcançar a felicidade mediante o consumo de bens, se endividando perpetuamente e fazendo girar a roda da felicidade… dos capitães do mercado financeiro.

E para finalizar, uma afirmação bem corrente é “o governo teme o povo bem educado”. Quem raciocina assim, está equivocado ou age de má-fé. A educação formal serve para amestrar e conformar o educando ao status quo. O produto final são cidadãos dóceis, tementes ao sistema vigente e trabalhando para “chegar lá”. A última expressão pode ser substituída por: comprar uma casa; um cachorro; viajar para Europa com os filhos, ir ao shopping, “visitar o zoológico e dar pipoca aos macacos”… Tudo em suaves e infinitas prestações.

Se existe alguém que o governo realmente teme, são os cidadãos à margem e sem possibilidades de “chegar lá”. A lógica é bem simples: eu tenho um diploma e trabalho com o objetivo de alcançar sucesso profissional, penso duas vezes antes de me rebelar contra qualquer autoridade ou autoritarismo. O raciocínio muda ao nos depararmos com certas categorias de marginalizados, quem não tem nada a perder está disposto a peitar qualquer um. Seja cidadão ou autoridade. É muito raro ouvir falar de doutor, professor ou qualquer gênero de diplomado a trocar tiros com a polícia. O gado letrado é manso e fácil de tanger, engordar e abater.

Se o presente escrito despertou alguma coisa em você, há excelentes textos e documentários sobre a educação e a falta de sincronia desta com os novos tempos. Dentre eles posso citar desescolarização e desescolarização 2. Se você não é muito afeito a leitura, recomendo ver o documentário Quando sinto que já sei. Isso é um começo de conversa. Óbvio que há inúmeros outros materiais sobre o tema e podemos encher páginas e mais paginas com indicações de material sobre a temática, deixe suas indicações na caixa de comentários.

E para não finalizar, deixo uma historinha real que eu vi num telejornal furreca daqui da Paraíba. Os professores reclamavam dos alunos, pois estes usavam smartphone em sala de aula e assim atrapalhavam o desenrolar dos trabalhos em sala. Ao ver esse tipo de coisa, logo me vem um questionamento: se um professor tradicional perde para um smartphone, se existe algo de errado, é com o aparelhinho ou a maneira tradicional de fazer educação? A resposta é com vocês.

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Notas frouxas sobre educação

A máquina de encaixotar gente

Se me perguntarem: qual o legado da escola para você? Os amigos (poucos) e monotonia (muita). Atravessei minha vida escolar e construí, orgulhosamente, meu conhecimento sem o apoio real da escola. Assistia às aulas, respondia provas e passava de ano. O professor estava lá, era o figurante que almejava o papel principal, mas carecia de competência suficiente para encenar o drama. Minha educação eu devo aos livros debulhados em casa. O pouco que eu sei da língua portuguesa, agradeço as obras literárias apreciadas longe das muralhas escolares.

Estudei em escola pública e o quadro era basicamente professores despreparados, mas investidos do poder de avaliar alunos em formação. A idade avançou e o Brasil também. A escola melhorou, pelo menos na aparência. Os problemas continuam. Educadores a buscar melhores salários e o pior, o uso de chavões do naipe “todo profissional precisou de um professor”. Uma categoria capaz de usar um argumento desse nível é carente de noções básicas de lógica formal. Todo e qualquer segmento profissional é relevante dentro da estrutura social e merece salário digno. Usar retórica de Facebook é duvidar da minha inteligência

Deixo de lado os sofridos professores e retorno ao tema inicial. Qual a importância da escola na atualidade? O Brasil precisa de mais escolas ou universidades? Diante dos diversos avanços na tecnologia, o conhecimento está mais acessível a todos e mesmo assim a escola insiste em respirar. A educação tradicional e a escola fruto dessa maneira de educar, podem ser comparadas – sem nenhum medo de errar – a um “cartório do conhecimento”. O aluno vai ao cartório, conversa com o tabelião e o estabelecimento emite uma certidão de posse do conhecimento. Tudo muito simples e indolor, não fosse o fato da escola destroçar toda e qualquer criatividade.

Antes de me acusarem de pregar a abolição da escola, estão certos. Embora se trate de um projeto irrealizável e a lógica é bem simples: a escola é instrumento útil na perpetuação do poder. A educação – tradicional – que liberta é falaciosa. Entre em qualquer escola e observe o cenário: crianças enfileiradas, vestindo as mesmas roupas e o “sacerdote” a ministrar as instruções. Ao observar atentamente esse quadro e refletir mais um pouco, é possível perceber que o chão de fábrica é a extensão da escola. Esqueça a educação que prega cidadania, criatividade ou balelas congêneres. (Continua na próxima semana).